História

Vizela, terra termal…v1                        
Um dos mais jovens concelhos de Portugal, Vizela, estende-se por uma área de 24 km2, sendo composto por 7 freguesias e acolhendo uma comunidade de cerca de 24 mil habitantes. Situado no Norte de Portugal, na bacia do Vale do Ave no extremo sul da província do Minho, serve de fronteira com o Douro Litoral. Encontra-se apenas a 8 km da cidade de Guimarães, Património Mundial, Capital Europeia da Cultura 2012, e do acesso à autoestrada A4. Terra verde por natureza, o contraste entre as suas zonas mais planas e alguns pontos mais altos, desenham, neste concelho, uma agradável paisagem. Conhecer as raízes de Vizela, ou Caldas de Vizela, como também é conhecida, é viajar no tempo e partir à descoberta de uma história milenar que tem o seu início muito antes da fundação da própria nacionalidade. Dos vários povos que por esta terra passaram, foram os Romanos que mais marcas deixaram. O seu mais importante legado foi a preciosa descoberta das propriedades medicinais das águas termais. Estas águas, cujas temperaturas variam entre os 15ºC e os 65ºC, são hipertermais, fracamente mineralizadas, sulfúreas, sódicas e fluoretadas, são indicadas sobretudo para o tratamento de reumatismos crónicos, doenças das vias respiratórias e doenças de pele. O reconhecimento de Vizela como a “Rainha das Termas de Portugal”, faz com que, todos os anos, cheguem à cidade milhares de aquistas, para aqui poderem desfrutar das propriedades e benefícios das águas locais.

Uma Luta de Séculos
Foi no rio Vizela que começou a história deste novo concelho.
Com 40 km de curso, o rio Vizela nasce na serra de Cabeceiras, entre as freguesias de Aboim e Gontim, concelho de Fafe e distrito de Braga. Desagua na margem esquerda do rio Ave, perto da freguesia de S. Miguel das Aves, concelho de Santo Tirso e distrito do Porto.
À volta do rio Vizela, começaram a surgir as primeiras populações, uma vez que as suas margens eram muito férteis e possuíam uma grande capacidade agrícola, sendo o cultivo dos campos, até ao século XIX, praticamente a única actividade destas populações.
Vizela está integrada no Vale do Vizela, que se inicia na serra de Santa Catarina, a Norte. A Sul, faz fronteira com parte do concelho de Lousada, através da serra dov2 Carvelo.
Foi em Vizela que começou toda a actividade económica e política desta região. As condições geográficas do Vale de Vizela desde muito cedo atraíram o homem. Como a água abundava em todo o vale, as actividades de maior relevo eram a agricultura e a pecuária.
A descoberta das águas termais

A chegada dos Romanos à Península Ibérica, no século III a.C., trouxe grandes transformações, nomeadamente para a região de Vizela, transformando por completo os hábitos, costumes e modos de vida das populações que aí viviam.
A grande transformação operada pelos Romanos nesta região foi a descoberta das águas termais de Vizela, com capacidades únicas no tratamento de determinadas doenças, entre as quais o reumatismo e as afecções das vias respiratórias.
Assim, os Romanos construíram, a partir do século I a.C., uma espécie de complexo termal, tendo surgido, à sua volta, toda uma povoação. Era aqui que as populações das diferentes classes sociais passavam horas de lazer e tentavam as curas para os seus males. Vizela tornou-se, assim, conhecida pelas virtudes terapêuticas das suas múltiplas nascentes de água. Aqui, acorria gente de toda a Ibéria.
Outra obra com a assinatura dos povos romanos é a ponte de Vizela, conhecida por “ponte velha”, e que resistiu a séculos de utilização, estando classificada como monumento nacional.
Com as invasões bárbaras, no século V, o Império Romano desmoronou-se por completo, assistindo-se à ascensão do Cristianismo, que invadiu todas as populações.
Após a Reconquista, formaram-se novos aglomerados populacionais. No ano de 607, século VII, realizou-se um concílio para a divisão do território em bispados, surgindo, assim, as primeiras paróquias portuguesas, entre as quais, Oculis, ou seja, Caldas de Vizela.

1361: Vizela foi concelho
A evolução política provocou, a partir de meados do século XI, a ascensão de Portucale, como centro de uma vasta área. O poder era exercido a partir de um centro, que começou por ser v6Guimarães. Vizela, como estava mesmo ao lado, aproveitou o facto para crescer e adquirir uma certa importância no contexto geral da governação do país.
O ano de 1361 foi o primeiro grande momento da história de Vizela, tendo esta alcançado a independência administrativa e formado, pela primeira vez, concelho próprio. D. João foi, assim, o primeiro governante de Vizela. Contudo, o concelho teve uma duração efémera: 47 anos. Pensa-se que os motivos da extinção estejam ligados aos conflitos entre os poderes municipais de Vizela e os conventos minhotos de Guimarães e Roriz. Mais tarde, nesta região, nasceu um novo concelho, desta vez com sede em Barrosas e que agrupou grande parte das atuais freguesias de Vizela. Em Tagilde, a 10 de Julho de 1372, assinou-se um importante acordo político, o chamado pacto de Tagilde, um tratado de aliança entre Portugal e Inglaterra. Entre o século XV e XVIII, pouco aconteceu em Vizela. Depois de um certo período de adormecimento, as termas renasceram no século XVIII. Em 1785, iniciou-se a construção, no sítio da Lameira, de uma barraca coberta de colmo, que iria constituir as primeiras instalações das termas de Vizela. Como a afluência foi enorme, nos anos seguintes, foram construídas algumas barracas em pedra. Já no século XIX, foi dada autorização régia para a construção dos banhos, os antecessores da atual Companhia.
As atuais instalações termais começaram a ser construídas em finais do século XIX (1870). Em 1873, é fundada a Companhia dos Banhos de Vizela, que ainda hoje concede ao concelho características de turismo muito particulares e que contribuiu, de forma preponderante, para o urbanismo vizelense, dos séculos XIX e XX. O renascer do espírito independentista Com a criação da Companhia dos Banhos, a povoação cresce, e com ela renasce a consciencialização autonómica da população, que estava enfraquecida há vários séculos, dando origem, durante o século XIX, ao renascer da luta pela autonomia de Vizela.
A partir de 1822, efetuam-se as primeiras alterações administrativas, dividindo-se o país em distritos. Trinta anos depois, foi extinto o concelho de Barrosas, aumentando, assim, o sentimento de independência de todo o vale de Vizela. Em 1852, a Rainha D. Maria II inicia uma viagem pelo país, anunciando a sua passagem pv2or Vizela. Apesar da promessa, esta visita acabou por não se efetuar e os vizelenses não esconderam a sua insatisfação e revolta. Foi a partir daqui que se intensificou o desejo de autonomia dos vizelenses, o desejo de um concelho independente de Guimarães. Com a implantação da República, em 1910, Vizela acalentou novas esperanças na sua luta e, pouco tempo depois enviou uma comissão, a Lisboa, com o objetivo de apresentar os motivos de tão antigas reivindicações. Assim, em 1914, Vizela apresentou uma proposta de criação do município, com 26 freguesias, a maioria desanexada de Guimarães. Doze anos depois, a mesma proposta já contemplava apenas 17 freguesias. Naquela altura, Vizela vivia momentos de grande vigor económico, sendo a estância termal considerada uma das melhores do país, servindo de pólo dinamizador de toda a região.
Em finais do século XIX, viviam em Vizela mais de 5000 habitantes. A indústria têxtil, nomeadamente o tecido de seda, algodão e linho, era a principal atividade económica de Vizela. A indústria mecânica, da serração de madeira e a do pão-de-ló, o famoso Bolinhol, também estavam desenvolvidas. Na altura, existiam dois casinos, que representavam uma fatia importante da economia vizelense, e algumas unidades hoteleiras, que serviam de apoio às termas de Vizela. O desenvolvimento económico de Vizela estava à vista e os gritos de independência iam-se fazendo ouvir, cada vez mais alto.

Elevação a Vila
v8Em 1929, Vizela é elevada à categoria de vila, em plena ditadura de pré-Estado Novo. Mas, os vizelenses não ficaram satisfeitos e não desistiram da sua luta pela criação do concelho. Em 1964, é fundado o MRCV – Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela, que se propôs liderar a luta pela criação do concelho. Em meados do século XX, assistiu-se a um certo declínio das termas, contrastando com um forte surto industrial, nomeadamente nos sectores têxtil, calçado e construção civil. Com o 25 de Abril, veio a promessa de uma nova lei sobre os municípios e as esperanças dos vizelenses aumentaram. Mas, mais uma vez, as tentativas não tiveram resultados positivos. Nos anos 80, os acontecimentos na Assembleia da República foram acidentados. Em 1982, o Partido Popular Monárquico apresentou uma proposta de criação do concelho, mas esta foi rejeitada. Como resposta, os vizelenses boicotaram as eleições autárquicas de Dezembro desse mesmo ano. Em 1985, foi aprovada a nova lei-quadro dos municípios, em que uma das cláusulas impedia a criação de novos concelhos, antes da regionalização. Contudo, Vizela nunca desistiu de lutar pelos seus interesses, que virv7iam a ser satisfeitos em Março de 1998. Mas, em 1997, Vizela ainda sofreu outra deceção, quando, mais uma vez, viu chumbada a sua proposta e, ao mesmo tempo, aprovada a elevação de Fátima a cidade. Aliado a isto, as relações entre Vizela e Guimarães iam-se deteriorando, pois estava no ar que o concelho de Vizela, mais cedo ou mais tarde, iria ser criado. Em 1997, foi apresentada uma proposta de lei do Partido Popular sobre a criação do concelho que, mais uma vez, foi chumbada. Mas, esta seria a última deceção dos vizelenses.

Luta valeu a pena
Em 1998, estavam na agenda da Assembleia da República, três projetos-lei de elevação de Vizela a concelho. Mais de seis mil vizelenses, que se tinham deslocado até Lisboa, fizeram a festa, à porta da Assembleia da República. A 19 de Março, os projetos-lei foram aprovados e Vizela era, finalmente, elevada à categoria de cidade, devendo-o especialmente ao cidadão honorário do Concelho de Vizela, Manuel Campelos, o rosto e imagem da luta de todos os Vizelenses!

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